Celebrado como o mês dedicado às mulheres, março se consolida como um período de reflexão, conscientização e, sobretudo, de alerta sobre a violência doméstica — um problema que ainda atinge milhares de brasileiras e exige atenção permanente da sociedade e das autoridades.
Em Miranda, o tema ganha destaque a partir do trabalho de conscientização realizado pela Polícia Civil. Em entrevista, o delegado Daniel Dantas revelou que o município registra, em média, cerca de 10 ocorrências de violência doméstica por mês. O número, embora possa parecer pequeno à primeira vista, acende um sinal de alerta, já que muitos casos ainda não chegam ao conhecimento das autoridades. Segundo o delegado, a subnotificação é uma das principais barreiras no enfrentamento à violência contra a mulher. “Muitas vítimas permanecem em silêncio, seja por medo, dependência emocional ou até mesmo por receio de represálias”, destacou.
Ele reforça que a denúncia é essencial para interromper o ciclo de violência. As vítimas podem procurar a Delegacia de Polícia Civil, acionar a Polícia Militar em casos de urgência ou buscar apoio por meio do Disque 180, canal nacional de atendimento à mulher.
Sinais que não podem ser ignorados
A violência doméstica nem sempre começa de forma física. Muitas vezes, os primeiros sinais aparecem de maneira silenciosa, por meio de atitudes controladoras e abusivas.
“Comportamentos como proibir a mulher de ver amigos, controlar suas roupas ou impedir o contato com familiares já configuram violência psicológica. Esse tipo de situação pode evoluir para agressões físicas”, explicou o delegado. Reconhecer esses sinais precocemente é fundamental para evitar que a violência se agrave e coloque em risco a integridade da vítima.
Preservar a vida e a dignidade das mulheres
Mais do que números, a violência doméstica representa uma grave violação dos direitos humanos. Preservar a integridade física, psicológica e emocional das mulheres deve ser um compromisso coletivo — que envolve poder público, forças de segurança e toda a sociedade. Nesse contexto, o trabalho das forças policiais é essencial. A Polícia Civil, ao investigar e acolher denúncias, e a Polícia Militar, ao atuar em situações emergenciais, cumprem um papel constitucional fundamental na proteção das vítimas e na responsabilização dos agressores.
Mato Grosso do Sul e o alerta para o feminicídio
O cenário estadual também preocupa. Mato Grosso do Sul figura, historicamente, entre os estados com maiores índices de feminicídio do país — crime que representa o extremo da violência contra a mulher.
Apesar desse quadro alarmante, Miranda não registra, até o momento, casos de feminicídio, o que demonstra a importância das ações preventivas e da atuação das autoridades locais. No entanto, a presença recorrente de casos de violência doméstica no município mostra que o problema ainda é grave e exige atenção contínua.
Especialistas reforçam que combater a violência desde os primeiros sinais é a principal forma de evitar tragédias maiores.
Denunciar é o primeiro passo
Mesmo com o fim do Mês da Mulher se aproximando, o alerta permanece. A violência contra a mulher não tem data para acontecer — e o combate também não pode se limitar a um período específico do ano.
Denunciar é um ato de coragem, mas também de proteção à própria vida. Cada denúncia pode impedir que a violência se agrave e, em muitos casos, salvar vidas. A conscientização, aliada à atuação firme das autoridades, é o caminho para construir uma sociedade mais segura e justa para todas as mulheres. (Apoio e apuração: A presente matéria conta com o trabalho da acadêmica de jornalismo Elaíde Almeida, responsável pela visita e entrevista com o delegado e produção do tema que subsidiou a reportagem.)









