CREAS reforça importância da denúncia e da proteção de crianças e adolescentes durante o Maio Laranja

O combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes exige atenção, informação e participação de toda a sociedade. Pensando nisso, o CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), serviço especializado que atende pessoas em situação de violação de direitos e oferece acompanhamento social e psicológico, intensificou durante o mês de maio uma série de ações de conscientização dentro da campanha Maio Laranja, movimento nacional que busca alertar a população sobre a importância da prevenção, da denúncia e do acolhimento das vítimas.
O trabalho desenvolvido pelo CREAS teve como foco orientar crianças, adolescentes, famílias e toda a comunidade sobre os sinais de violência e a necessidade de romper o silêncio diante de qualquer suspeita de abuso.
A assistente social Jéssica Roque de Souza Farias destacou que a informação é uma das principais ferramentas de proteção. “As crianças precisam saber o que é permitido e o que é proibido quando se trata do seu corpo”, explicou. Segundo ela, muitas vezes o diálogo dentro de casa e na escola pode ser decisivo para identificar situações de violência e evitar que os casos continuem acontecendo. A psicóloga Giovana Zuim da Silva também participou das ações e alertou que os abusos frequentemente começam de forma silenciosa e disfarçada.
“Muitas vezes o abuso começa disfarçado de uma brincadeira, um carinho, e por ser um adulto que está fazendo, a criança acaba achando que aquilo é normal”, ressaltou. Durante a campanha, o CREAS promoveu palestras em escolas do município com apoio do CRAS, levando orientações sobre prevenção, respeito e proteção. Além disso, no dia 18 de maio — data que marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes — foi realizada uma panfletagem para conscientizar motoristas e a população sobre a importância da denúncia. De acordo com a equipe, a participação da comunidade foi fundamental para fortalecer a campanha e ampliar o alcance das informações.
Outro ponto destacado pelos profissionais é que os primeiros sinais de abuso costumam ser percebidos dentro do ambiente escolar. Mudanças no comportamento das crianças e adolescentes podem servir de alerta para professores e familiares.
“Os profissionais da sala de aula costumam perceber mudanças no comportamento, como a criança ficar mais retraída, apresentar queda no rendimento escolar, agressividade e até casos em que a criança acaba ficando hipersexualizada, com brincadeiras inadequadas, como beijos e toques no corpo dos colegas”, explicou Jéssica. A equipe reforça que qualquer suspeita deve ser denunciada. As denúncias podem ser feitas de forma totalmente anônima pelo Disque 100. Também é importante informar corretamente o endereço da vítima para facilitar o trabalho das equipes responsáveis pela averiguação dos casos.
Outra alternativa é procurar diretamente o CREAS, que oferece atendimento reservado e conta com profissionais preparados para acolher e acompanhar situações de violência. O órgão está localizado na Rua São Benedito, nº 42, no Centro de Miranda. Para a psicóloga Giovana Zuim da Silva, o apoio da população é essencial para salvar vidas e proteger crianças e adolescentes.
“A sociedade tem um papel fundamental, porque se ela não faz a denúncia, não tem como ficarmos sabendo do que está acontecendo. Se a população tem conhecimento de uma situação, o papel dela é denunciar, ela não pode omitir”, afirmou. Ela também deixou uma mensagem sobre a importância do acolhimento e da escuta.
“A comunidade precisa acolher mais quando a criança fala, ouvir mais e procurar entender o que está acontecendo, porque é através desses cuidados que nós conseguimos agir e salvar essa criança e esse adolescente.” (Essa matéria conta com o trabalho da acadêmica de jornalismo Elaíde Almeida, responsável pela entrevista, sob supervisão do Editor do Jornal da Cidade).

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